Ricardo Diniz revela o seu novo barco

Portugal Innovation e Ricardo Diniz

Ricardo Diniz e Mafalda Arnauth

Ricardo Diniz junto à Torre Vasco da Gama

Lisboa, Portugal 16/10/2008 14:33 (LUSA)
Temas: Economia (geral), Aventura, Sociedade, Desporto, Vela 

Lisboa, 16 Out (Lusa) - O velejador solitário Ricardo Diniz anunciou hoje que vai construir em Portugal, em conjunto com vários estaleiros nacionais, um barco classe oceânica que será a sua embaixada flutuante pelo mundo.

"Na vela nacional não há referências recentes de construtores, salvo os kayaks do Nelo (Vila do Conde). É urgente revitalizar a construção naval. Vamos mostrar que acreditamos na mão-de-obra portuguesa e construir a minha embaixada flutuante", explicou à Agência Lusa o aventureiro de 31 anos.

Desiludido por não estar na "Portimão Global Ocean Race", a primeira regata de volta ao mundo a começar e a terminar em Portugal, na qual participam veleiros de 40 pés (12 metros) como aquele que vai construir, Ricardo Diniz avança que este será o primeiro passo para colmatar essa lacuna no futuro.

"Cheguei a ter um barco, a treinar seis meses e não fui. O barco estava mais ou menos, precisava de alguns melhoramentos e de eu o comprar!", contou a sorrir, revelando que não conseguiu recolher patrocínios suficientes para poder perseguir mais um sonho.

Contudo, Ricardo Diniz revelou à Lusa que havia "formas mais baratas" de fazer a regata, mas que não o fez por considerar que a avançar seria "em cima do joelho" e não estaria ao "mesmo nível dos restantes".

"Não tenho feitio para perder oportunidades como esta. Deixa-me frustrado. Não fui por falta de apoios e é estranho, não faz sentido haver uma prova deste nível em Portugal e não existir nenhum português em prova", desabafou, considerando que há uma "falta de coordenação e esforços dispersados".

Para Ricardo Diniz, convidado pela Comissão Europeia para ser um dos embaixadores dos Oceanos devido ao papel dinamizador dos mares e de Portugal no mundo, "a Vanessa Fernandes da náutica é a construção naval portuguesa".

"É preciso abrir caminho. Fizemos caravelas há 500 anos e elas safaram-se bastante bem. Qual é o problema de construir veleiros", questionou.

Ricardo Diniz explicou ainda que podia mandar construir um veleiro, que estaria pronto em seis semanas, em França, mas prefere arriscar e lançar o projecto de o fazer em Portugal, sabendo que poderá levar seis meses a ficar concluído.

"A ideia é escolher os estaleiros nacionais e cada um deles poder fazer uma componente do barco. Não vamos utilizar materiais exóticos, nem fibra de carbono. É perfeitamente possível construir em Portugal um barco de fibra de vidro pura", assegurou.

Com este projecto Ricardo Diniz, pretende que no futuro, quando por exemplo os velejadores ingleses quiserem construir um barco, se lembrem que Portugal fica a duas horas de avião e que também constrói barcos.

Actualmente os maiores construtores de barcos de vela oceânica são Nova Zelândia, Africa do Sul e Turquia, pelo que Ricardo Diniz quer colocar Portugal no mapa dos construtores mundiais, considerando que o país também tem de beneficiar do facto de ser "20 vezes mais mar do que terra" e de ter na história a epopeia dos descobrimentos.

No seu vasto currículo dedicado a actividades ligadas ao mar - já navegou 80.000 milhas - figuram quatro travessias do Oceano Atlântico e a viagem solitária do Lisboa-Dacar à vela, em 2005, que ocorreu em paralelo com o mítico rali, entre outras.

   

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